Há uma luz que nunca se apaga


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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Before I Jump Like a Monkey, Just Give Me a Banana #5

Aproveitando todo o hype que envolve a nova eleição para a Presidência do Brasil, continuo esta semana a dissecar alguma da boa música que se faz, e se fez, na terra do Rei (Roberto claro!).
Indo um pouco além do óbvio (Bossa Nova e MPB), proponho a descoberta do psicadelismo na música brasileira. O Brasil teve um dos expoentes máximos da sua vaga psicadélica com a banda Azymuth. Os Azymuth foram uma banda criada nos anos 70 no Rio de Janeiro, que revolucionou a música feita no Brasil até à altura, ainda hoje são lembrados, inclusive em compilações internacionais de música de fusão. Dois dos seus membros originais viriam a ser figuras muito activas na nova música brasileira, estando activos ainda hoje: o baixista Alex Malheiros e o teclista José Roberto Bertrami. Dos Azymuth aconselho a audição do albúm 'Linha do Horizonte'.
Também muito importante na música psicadélica no Brasil é o album 'paebiru'da dupla Lula Cortês e Zé Ramalho, sem dúvida a merecer também um olhar curioso.





Passando ao presente, vou propor agora uma das bandas que mais me impressionou ao vivo nos último tempos: Os Haxixins! Expoente máximo do Garage Rock e Psicadelismo Brasileiro da actualidade, os Haxixins são agora uma banda de culto de S. Paulo. Vê-los ao vivo é uma experiência intensa e uma viagem. Os proprios definem a banda como uma mistura de Pedal Fuzz e muita coragem. O seu nome é uma homenagem ao 'Clube dos Haxixins', clube formado por volta de 1840 em Paris por escritores como Baudelaire e outros artistas como por exemplo o Pintor Delacroix, que se juntavam num quarta de hotel para consumir haxixe e partilhar as imagens psicadelicas que derivavam do consumo da substância.





Para a semana volto com mais músicas do Mundo!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Before I Jump Like a Monkey, Give Me a Banana #4

Bloguistas, depois de ausência prolongada sem justificação, volto a pegar o fio à meada. Depois do já quase esquecido primeiro pequeno périplo por Africa, proponho um novo começo na América do Sul. Aqui chegado, não tenho outra hipótese senão começar pelo País que musicalmente me diz mais neste continente, O Brasil.
Dos muitos e bons intérpretes brasileiros do passado e do presente, vou começar por aquele que pessoalmente me diz mais: João Gilberto. Não sendo o mais famoso, acabou por ficar directamente ligado à invenção da bossa nova, em 1959 editou um albúm chamado 'Chega de Saudade' e acidentalmente criou um importantissimo género musical que ainda prolifera nos dias de hoje, a Bossa Nova.
João Gilberto é até hoje reconhecidamente um dos mestres da Bossa Nova, muito embora tenha feito uma carreira muita atípica, ao contrario dos outros intérpretes mais conhecidos como Vinicius ou Tom Jobim, Gilberto raramente desenvolveu parcerias preferindo quase sempre compor e actuar a solo embora muitas vezes usando letras de outros, como no caso do tema que é oficialmente a música que deu inicio à bossa nova, Chega de Saudade, tema escrito por Vinicius e composto por Jobim. Ainda hoje continua o seu percurso marginal, sempre nas franjas do género, afastado do Mainstream e muito raramente actuando ao vivo ou mesmo saindo de sua casa na Bahia, cultiva a sua própria timidas e não cede a modas mantendo-se fiel ao que sempre foi: um grande cantor e tocador de violão.





Passando agora ao presente, passo a partilhar a música de uma cantora de São Paulo cuja qualidade me impressionou de sobremaneira. Tiê!
Tiê é uma jovem cantora e letrista brasileira, tem apenas um albúm editado, 'Sweet Jardim' de 2009 mas está na minha opinião num plano diferente das restante jovens interpretes como Maria Gadu ou Mariana Aydar, pela atitude que mostra no albúm e nas suas letras. Vale a pena ouvir o albúm inteiro com interesse.
Ficam 3 videos:







Volto para a semana (mesmo!) com mais Musica do Mundo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Before I Jump Like a Monkey, Give me a Banana! #3

Após um interregno de uma semana para uma curta e merecida féria balnear, voltamos a agarrar a rubrica pelos cornos. Para encerrar o périplo que vimos fazendo por Africa e dizendo um já nostálgico Até Já, terminamos este curto ciclo com algumas sugestões de uma País que fala Português e vive muito intensamente a música (diz quem lá foi que a música do País se ouve por toda a parte), estamos a falar de Cabo Verde.
Começo por sugerir uma banda com grande tradição doméstica e que cada vez mais se faz ouvir um pouco por todo o mundo (são muito acarinhados no nosso Pais onde vêm amiúde para animados concertos): Ferro Gaita. Os Ferro Gaita são talvez a principal banda a tocar um genéro muito especifico de Cabo Verde, o Funáná, mistura de Afrobeat com Reggae que não se esgota nesta designação até porque faz especial uso do acordeão, o que os leva por vezes a sugerir influencias de outro generos com o Tango ou mesmo a musica cigana.



A energia e groove é contagiante...

Mais Ferro Gaita:



Sugiro também um execelente interprete de Cabo verde, Bana! Com uma carreira já longa, muitas vezes na sombra de cantores mais conhecidos como Ildo Lobo ou Tito Paris:



Para o fim, aquela que é talvez a voz mais conhecida do momento oriunda de Cabo Verde: Mayra Andrade. Aos 24 anos tem já 2 albuns muito competentes, escreve, compõe, interpreta e toca. Canta em Portugues, Frances, Ingles e Crioulo. Dona de uma beleza fora do comum, a sua voz apaixona à primeira audição. Quem não conhece deve conhecer, quem já conhece deve voltar a ouvi-la muitas vezes:



Aqui com Mariana Aydar numa rua de S. Paulo num momento arrepiante para a versão brasileira do conhecido site La Blogoteque:



Voltamos para a semana com mais musicas do mundo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Before I Jump like a monkey, give me a banana #2

Em plena canícula lisboeta, decidimos para a rubrica desta semana continuar pela Música Africana.
Começamos pelo Zimbabué, isso mesmo Zimbabué.
O cantor em sugestão é Thomas Mapfumo. Cantor e compositor, também ele usou a sua música como forma de protesto, neste caso contra o regime corrupto e sufocador de Robert Mugabe. Este activismo valeu-lhe a alcunha de "The Lion of Zimbabué". Foi o criador dum genero de música chamado de Chimurenga o qual se tornou conhecido por ser dançado duma forma muito lenta e sensual.
Proponho então que escutemos agora um tema do Leão do Zimbabué:





Fazendo agora uma pequena chamada ao universo indie chamo a atenção para a influencia deste tipo de ritmo na musica de bandas como os Vampire Weekend ou os The Very Best:



Proponho agora um curto salto até à Serra Leoa, onde reside um surpreendente projecto que mistura música africana com reggae e dub. Sierra Leone Refugee All Stars. É um projecto singular que nasceu nos campos de refugiados da Serra Leoa durante os anos da sangrenta guerra civil, a sua música é um grito de revolta muito diferente daqueles a que estamos habituados uma vez que onde espravamos encontrar palavras de raiva e violencia encontramos antes uma voz de esperança e optimismo que nos remete para muito longe do local onde foram concebidas as letras e música.
Incrivel o groove da malha que agora vos proponho:
Música arrancada à guerra!



Voltamos para a semana com mais músicas do mundo.
Continuação de boa canicula!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Before I Jump Like a Monkey, Give me a Banana #1

Fela Kuti

Obrigado Gaspar por finalmente fazeres de mim um blogger.
Música africana é o que proponho para este debute, e se é de Musica africana que vou falar, tenho de começar pelo Maior músico africano de sempre (isto na opinião de muitos pretensos melómanos incluindo este que vos escreve agora): Fela Ransome Kuti!
Fela Kuti nasceu em 1938 na Nigéria e deixou-nos em 1997, quando ainda exibia uma vitalidade e um groove impressionantes, viveu 61 anos mas tinha música para muitos mais.
Fela foi o criador de um estilo musical que mais tarde viria a ser chamado de Afrobeat e a influenciar milhares de músicos por todo o mundo. O Afrobeat era (e é) uma fusão de Jazz com Funk, Rock Psicadélic0 (nos riffs utilizados) com música tradicional africana. Mas mesmo dentro do Afrobeat Fela tem aindo hoje um lugar especial que vai para além do papel de criador, as suas músicas eram longas, viagens musicais riquissimas que às vezes ultrapassavam os 30 minutos num só tema. Esta caracteristica foi durante muitos anos um obstáculo ao sucesso fora do continente africano, mas a sua qualidade como músico, compositor e visionário fazem dele uma enorme referência nos dias que correm, o seu legado é imenso e todos os anos os seus albuns mais antigos são alvo de reedições e homenagens.



O tema que vos sugiro nesta altura é Zombie, um dos mais importantes temas de Fela, um grito contra os soldados nigerianos considerados demasiadamente violentos e crueis, grito rapidamente transformado em hino ao groove em estado puro.

Kuti usava a música como uma arma, era o seu veículo de expressão e não se coibia de ir contra o regime Nigeriano mesmo pondo em causa a sua carreira e mesmo a sua vida, era um músico guerreiro, tinha ideias muitos proprias para o seu país e para o continente africano e usava o seu arsenal musical para para as propagar. Para nós europeus que vivemos num século 21 parco em activismo e ideias fica o incrivel groove, pronto a ser usado numa noite mais quente de férias ou num final de tarde, por exemplo num qualquer quiosque na região sul de Lisboa...

Entre os inúmeros albuns de Fela Kuti proponho que percam algum tempo com os seguintes:

Roforofo Fight (1972)
Expensive Shit (1975)
Zombie (1976)

Volto para semana com mais músicas do mundo.