Há uma luz que nunca se apaga


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sábado, 4 de dezembro de 2010

Sons da minha infância - Cat Stevens/Yusuf Islam

Nasceu Steven Demetre Georgiou, virou famoso enquanto Cat Stevens e, no pico da fama, tornou-se Yusuf Islam. Em suma, uma história de vida em tudo semelhante à de Abel Xavier mas com um bocadinho menos de glamour.

Filantropo convicto, Steven/Cat/Yusuf tanto é distinguido pelo seu trabalho em benefício da paz no mundo quanto, no instante seguinte, é impedido de entrar em solo americano e chamado de terrorista.

Os verdadeiros génios podem mudar de cor, de religião, e até de clube de futebol; sempre permanecerão verdadeiros génios: criadores dos seus próprios universos morais.


Cat Stevens











Yusuf Islam








... E a história de uma transição


domingo, 29 de agosto de 2010

Sons da minha infância - Bush

A banda sobre que hoje escrevo marcou a minha adolescência, tendo-a atravessado desde os seus primórdios até ao início da idade adulta. Assim, porque durante muito tempo os ouvi sem parar, e porque me diz a internet (esse infalível oráculo dos tempos modernos) que em finais de 2010 lançarão um novo álbum - Everything Always Now -, hoje proponho-vos recordar alguns sons dos Bush.

Embora de início, aos ouvidos mais incautos, a sua música possa soar a mais uma americanada, os Bush não só não são americanos, como na minha opinião são muito mais que uma mera tentativa de colagem aos Nirvana ou aos Pearl Jam. De facto, não obstante ser evidente a ponte com o grunge do início dos anos 90, como diria o outro Bush (o W), "make no mistake", pois não estamos na presença de uma mera imitação, nem de reles gritos vãos com pouco ou nenhum conteúdo (à laia de creed com with arms wide open, e outros que tal). Os Bush fizeram música e, a meu ver, boa música.

A banda, liderada por Gavin Rossdale, formou-se em Londres em 1992, tendo sucumbido escassos nove anos depois. Pelo meio ficaram quatro álbuns: Sixteen Stone (1994), Razorblade Suitcase (1996), The Science of Things (1999) e Golden State (2001).

Talvez o fim da banda tenha sido ditado pelo ritmo (decrescente) das vendas dos quatro álbuns em questão. As ditas vendas, porém, reflectem aquilo que me parece evidente: embora tenham conseguido manter o nível entre o primeiro e o segundo álbum, de aí em diante foi sempre a descer. O que equivale a dizer que, depois de 1996, o melhor que o Gavin Rossdale conseguiu foi compor o Warm Machine e casar com a Gwen Stefani (o que, diga-se, é duplamente notável).

Pode ser que os Bush nos surpreendam com um regresso em grande no final deste ano, e que Everything Always Now valha verdadeiramente a pena. Prometo ficar atento. Até lá, deixo-vos com algumas das minhas músicas preferidas, distribuídas por álbum.


Sixteen Stone:
















Razorblade Suitcase:


(música começa ao minuto 2:00)
















The Science of Things:










Golden State:




segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sons da minha infância - Lucio Dalla

Em face da trágica estreia do Benfica no campeonato, ontem não houve Bloody Sunday (ou se calhar até houve, mas não no sentido que mais me agradaria...).
Pois é; depois daquele balde de água fria que os Laionels e Júniores Paraíbas desta vida nos derramaram em cima, restou-me recolher aos lençois, fechar-me em posição fetal e aguardar que a azia passasse, rezando para que o Peixoto não volte a calçar no meio campo do Benfica.
Mas sou adepto da filosofia de que até nas maiores tragédias devemos procurar algo de bom. Assim, nesse estado semi-comatoso de quem acaba de levar uma tão inesperada quanto violenta vergastada nos dentes, enfiei-me no carro do meu pai para o trajecto estádio-casa, tentando encontrar algo que me animasse, ou que pelo menos me permitisse alhear da neura de uma derrota em casa em jogo de estreia.
Fechei os vidros, liguei o a/c, calei a TSF e o anticlímax das conferências de imprensa, e liguei o cd. Lá dentro estava um dos primeiros álbuns de que tenho memória: DallAmeriCaruso, de 1986. O Autor: Lucio Dalla.
Pouco sei da vida do homem. Sei (pela wikipedia) que começou por tocar jazz; que o seu primeiro disco data da década de sessenta; que continua a editar novos álbuns (não sei se originais ou best of dos best of) e que nasceu em Bolonha há 67 anos atrás. Sei que com uma versão de um tema seu (caruso) o Pavarotti vendeu milhões de discos. Sei também que tem a idade do meu pai e que para sempre confundirei o tom dos assobios de um e do outro. Desde criança adoro o ritmo das suas músicas, a sua voz quando arranca para rotações mais elevadas, e a cadência e a entoação das palavras cantadas em italiano.
Em suma, para além de me fazer recordar tempos em que não tinha de esperar meias décadas para ver o Benfica campeão, Lucio Dalla faz-me lembrar os primórdios irracionais da minha relação com a música. Acho que nunca me cansarei de o ouvir.