Boas,
Peço desde já desculpa por não ter escrito no meu dia e estar a escrever hoje.
Não vos vou tomar muito tempo pois esta banda dispensa apresentações. Suede (ou The London Suede) foi, e é, uma banda inglesa que surgiu no periodo revolucionário pós grunge e deu inicio ao movimento Britpop no Reino Unido.
São a mistura perfeita entre o glam de Bowie ou T-Rex com o pop inglês classico dos 80 como Smiths ou Echo and the Bunnymen.
São uma banda obrigatória para quem, como eu, vive a música britanica e todas as suas inflências.Os Suede vão reaparecer para um concerto no Razzmatazz (imagine-se!) no proximo dia 26 de Novembro para a celebração do 10º aniversário dessa mítica casa.
Álbuns
Suede, 1993 (IMPERDIVEL)
Dog Man Star, 1994 (IMPERDIVEL)
Coming Up, 1996 (IMPERDIVEL)
Sci-Fi Lullabies, 1997
Head Music, 1999
A New Morning, 2002
Singles, 2003
Há uma luz que nunca se apaga
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Sons da minha infância - Bush
A banda sobre que hoje escrevo marcou a minha adolescência, tendo-a atravessado desde os seus primórdios até ao início da idade adulta. Assim, porque durante muito tempo os ouvi sem parar, e porque me diz a internet (esse infalível oráculo dos tempos modernos) que em finais de 2010 lançarão um novo álbum - Everything Always Now -, hoje proponho-vos recordar alguns sons dos Bush.
Embora de início, aos ouvidos mais incautos, a sua música possa soar a mais uma americanada, os Bush não só não são americanos, como na minha opinião são muito mais que uma mera tentativa de colagem aos Nirvana ou aos Pearl Jam. De facto, não obstante ser evidente a ponte com o grunge do início dos anos 90, como diria o outro Bush (o W), "make no mistake", pois não estamos na presença de uma mera imitação, nem de reles gritos vãos com pouco ou nenhum conteúdo (à laia de creed com with arms wide open, e outros que tal). Os Bush fizeram música e, a meu ver, boa música.
A banda, liderada por Gavin Rossdale, formou-se em Londres em 1992, tendo sucumbido escassos nove anos depois. Pelo meio ficaram quatro álbuns: Sixteen Stone (1994), Razorblade Suitcase (1996), The Science of Things (1999) e Golden State (2001).
Talvez o fim da banda tenha sido ditado pelo ritmo (decrescente) das vendas dos quatro álbuns em questão. As ditas vendas, porém, reflectem aquilo que me parece evidente: embora tenham conseguido manter o nível entre o primeiro e o segundo álbum, de aí em diante foi sempre a descer. O que equivale a dizer que, depois de 1996, o melhor que o Gavin Rossdale conseguiu foi compor o Warm Machine e casar com a Gwen Stefani (o que, diga-se, é duplamente notável).
Pode ser que os Bush nos surpreendam com um regresso em grande no final deste ano, e que Everything Always Now valha verdadeiramente a pena. Prometo ficar atento. Até lá, deixo-vos com algumas das minhas músicas preferidas, distribuídas por álbum.
Sixteen Stone:
Razorblade Suitcase:
(música começa ao minuto 2:00)
The Science of Things:
Golden State:
Embora de início, aos ouvidos mais incautos, a sua música possa soar a mais uma americanada, os Bush não só não são americanos, como na minha opinião são muito mais que uma mera tentativa de colagem aos Nirvana ou aos Pearl Jam. De facto, não obstante ser evidente a ponte com o grunge do início dos anos 90, como diria o outro Bush (o W), "make no mistake", pois não estamos na presença de uma mera imitação, nem de reles gritos vãos com pouco ou nenhum conteúdo (à laia de creed com with arms wide open, e outros que tal). Os Bush fizeram música e, a meu ver, boa música.
A banda, liderada por Gavin Rossdale, formou-se em Londres em 1992, tendo sucumbido escassos nove anos depois. Pelo meio ficaram quatro álbuns: Sixteen Stone (1994), Razorblade Suitcase (1996), The Science of Things (1999) e Golden State (2001).
Talvez o fim da banda tenha sido ditado pelo ritmo (decrescente) das vendas dos quatro álbuns em questão. As ditas vendas, porém, reflectem aquilo que me parece evidente: embora tenham conseguido manter o nível entre o primeiro e o segundo álbum, de aí em diante foi sempre a descer. O que equivale a dizer que, depois de 1996, o melhor que o Gavin Rossdale conseguiu foi compor o Warm Machine e casar com a Gwen Stefani (o que, diga-se, é duplamente notável).
Pode ser que os Bush nos surpreendam com um regresso em grande no final deste ano, e que Everything Always Now valha verdadeiramente a pena. Prometo ficar atento. Até lá, deixo-vos com algumas das minhas músicas preferidas, distribuídas por álbum.
Sixteen Stone:
Razorblade Suitcase:
(música começa ao minuto 2:00)
The Science of Things:
Golden State:
sábado, 28 de agosto de 2010
The Blank Generation
"The Blank Generation" foi um movimento musical que surgiu em NY em 1975/76.
O nome chave para entender este nova vaga é o clube CBGB´s.
Por esse venue passaram grandes nomes do rock que viriam a ser ícones deste movimento :
Patti Smith, Ramones, Blondie, Television, Talking Heads foram alguns dos grupos que maracaram esta geração que tambem ficou conhecida pelo aparecimento de vários selos independentes e de dezenas de novas bandas que não se importavam em serem ídolos ou ganharem muito dinheiro, o que interessava era a música, a atitude e, sobretudo, a exploração de novos conceitos sonoros, tornando famoso o lema punk "Do It Yourself".
Discografia Básica :
Blondie - Parallel Lines
Patti Smith - Horses
Richard Hell And The Voidoids - Blank Generation
Ramones - Rocket To Russia
Talking Heads - Talking Heads '77
Television - Marquee Moon
The Cramps - Songs The Lord Taught Us
O nome chave para entender este nova vaga é o clube CBGB´s.
Por esse venue passaram grandes nomes do rock que viriam a ser ícones deste movimento :
Patti Smith, Ramones, Blondie, Television, Talking Heads foram alguns dos grupos que maracaram esta geração que tambem ficou conhecida pelo aparecimento de vários selos independentes e de dezenas de novas bandas que não se importavam em serem ídolos ou ganharem muito dinheiro, o que interessava era a música, a atitude e, sobretudo, a exploração de novos conceitos sonoros, tornando famoso o lema punk "Do It Yourself".
Discografia Básica :
Blondie - Parallel Lines
Patti Smith - Horses
Richard Hell And The Voidoids - Blank Generation
Ramones - Rocket To Russia
Talking Heads - Talking Heads '77
Television - Marquee Moon
The Cramps - Songs The Lord Taught Us
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Kill Bill
Esta semana para variar falo de cinema. Vi um filme que não via há algum tempo e que é uma verdadeira obra-prima na minha opinião. Sou um fã do Tarantino em todos os aspectos. Neste filme acho que conseguiu uma combinação entre um argumento cativante e absorvente com uma banda sonora magistral. Deixo-vos este clássico que é a cena em que a Uma Thurman despacha um batalhao de samurais antes de chegar á Lucy Liu. Em relação á luta entre as duas lá fora naquele cenário idílico não há muito a dizer.Simplesmente genial!
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Before I Jump Like a Monkey, Give me a Banana! #3
Após um interregno de uma semana para uma curta e merecida féria balnear, voltamos a agarrar a rubrica pelos cornos. Para encerrar o périplo que vimos fazendo por Africa e dizendo um já nostálgico Até Já, terminamos este curto ciclo com algumas sugestões de uma País que fala Português e vive muito intensamente a música (diz quem lá foi que a música do País se ouve por toda a parte), estamos a falar de Cabo Verde.
Começo por sugerir uma banda com grande tradição doméstica e que cada vez mais se faz ouvir um pouco por todo o mundo (são muito acarinhados no nosso Pais onde vêm amiúde para animados concertos): Ferro Gaita. Os Ferro Gaita são talvez a principal banda a tocar um genéro muito especifico de Cabo Verde, o Funáná, mistura de Afrobeat com Reggae que não se esgota nesta designação até porque faz especial uso do acordeão, o que os leva por vezes a sugerir influencias de outro generos com o Tango ou mesmo a musica cigana.
A energia e groove é contagiante...
Mais Ferro Gaita:
Sugiro também um execelente interprete de Cabo verde, Bana! Com uma carreira já longa, muitas vezes na sombra de cantores mais conhecidos como Ildo Lobo ou Tito Paris:
Para o fim, aquela que é talvez a voz mais conhecida do momento oriunda de Cabo Verde: Mayra Andrade. Aos 24 anos tem já 2 albuns muito competentes, escreve, compõe, interpreta e toca. Canta em Portugues, Frances, Ingles e Crioulo. Dona de uma beleza fora do comum, a sua voz apaixona à primeira audição. Quem não conhece deve conhecer, quem já conhece deve voltar a ouvi-la muitas vezes:
Aqui com Mariana Aydar numa rua de S. Paulo num momento arrepiante para a versão brasileira do conhecido site La Blogoteque:
Voltamos para a semana com mais musicas do mundo.
Começo por sugerir uma banda com grande tradição doméstica e que cada vez mais se faz ouvir um pouco por todo o mundo (são muito acarinhados no nosso Pais onde vêm amiúde para animados concertos): Ferro Gaita. Os Ferro Gaita são talvez a principal banda a tocar um genéro muito especifico de Cabo Verde, o Funáná, mistura de Afrobeat com Reggae que não se esgota nesta designação até porque faz especial uso do acordeão, o que os leva por vezes a sugerir influencias de outro generos com o Tango ou mesmo a musica cigana.
A energia e groove é contagiante...
Mais Ferro Gaita:
Sugiro também um execelente interprete de Cabo verde, Bana! Com uma carreira já longa, muitas vezes na sombra de cantores mais conhecidos como Ildo Lobo ou Tito Paris:
Para o fim, aquela que é talvez a voz mais conhecida do momento oriunda de Cabo Verde: Mayra Andrade. Aos 24 anos tem já 2 albuns muito competentes, escreve, compõe, interpreta e toca. Canta em Portugues, Frances, Ingles e Crioulo. Dona de uma beleza fora do comum, a sua voz apaixona à primeira audição. Quem não conhece deve conhecer, quem já conhece deve voltar a ouvi-la muitas vezes:
Aqui com Mariana Aydar numa rua de S. Paulo num momento arrepiante para a versão brasileira do conhecido site La Blogoteque:
Voltamos para a semana com mais musicas do mundo.
Folk You - Mumford & Sons
Apraz-me este regresso às raízes do folk a que se tem assistido nos últimos anos, vindo não apenas de várias regiões dos States (Fleet Foxes, Bon iver ou Beirut) mas também aqui na Europa com estes Mumford&Sons.
Guitarradas eléctricas são guitarradas eléctricas, eu sei, mas toda a diversidade de instrumentos "artesanais" e as viagens proporcionadas pelo imaginário sonoro deste novo e do velho folk, são como um abrir da janela do quarto na minha casa de campo numa manhã amena de Outono. Isto apesar de eu não possuir nenhuma casa de campo.
Principalmente o som rústico, quase tosco, das cordas acústicas que sai dos bandolins, banjos, citaras, violas e outros que tais, carregam aquela nostalgia de quando um gajo andava de baloiço no jardim das amoras a ver maluquinhos falarem sozinhos enquanto davam milho aos pombetys.
Os próprios Arcade Fire também jogam muito neste terreno. O tema "Wasted Hours" do novo álbum é incrivelmente eficaz nessa viagem ao passado.
Mas aqui ficam duas faixas desse Sight No More, a estreia dos Mumford&Sons, para mim um dos melhores álbuns de 2009.
Little Lion Man
Sigh No More
Guitarradas eléctricas são guitarradas eléctricas, eu sei, mas toda a diversidade de instrumentos "artesanais" e as viagens proporcionadas pelo imaginário sonoro deste novo e do velho folk, são como um abrir da janela do quarto na minha casa de campo numa manhã amena de Outono. Isto apesar de eu não possuir nenhuma casa de campo.
Principalmente o som rústico, quase tosco, das cordas acústicas que sai dos bandolins, banjos, citaras, violas e outros que tais, carregam aquela nostalgia de quando um gajo andava de baloiço no jardim das amoras a ver maluquinhos falarem sozinhos enquanto davam milho aos pombetys.
Os próprios Arcade Fire também jogam muito neste terreno. O tema "Wasted Hours" do novo álbum é incrivelmente eficaz nessa viagem ao passado.
Mas aqui ficam duas faixas desse Sight No More, a estreia dos Mumford&Sons, para mim um dos melhores álbuns de 2009.
Little Lion Man
Sigh No More
As novas tendências - Se ninguém escreve, escrevo eu
DELOREAN (Spain, 2010)
Boa tarde carissimos. Estou a escrever hoje pois tenho aqui um tempo livre e como tal quero continuar a partilhar o que ando a ouvir com vocês. A banda em questão chama-se Delorean e são espanhois, embora o seu mercado já tenha ultrapassado as fronteiras de nuestros hermanos. Misturam-se entre o indie pop e o electronico inclinando-se mais para o electronico, influenciados pela boémia vida de cidades como Barcelona e Ibiza. Lançaram já em 2010 o album Subiza, um album cheio de boas musicas das quais destaco:
Boa tarde carissimos. Estou a escrever hoje pois tenho aqui um tempo livre e como tal quero continuar a partilhar o que ando a ouvir com vocês. A banda em questão chama-se Delorean e são espanhois, embora o seu mercado já tenha ultrapassado as fronteiras de nuestros hermanos. Misturam-se entre o indie pop e o electronico inclinando-se mais para o electronico, influenciados pela boémia vida de cidades como Barcelona e Ibiza. Lançaram já em 2010 o album Subiza, um album cheio de boas musicas das quais destaco:
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
A novas tendências - Os (inevitáveis) Drums
THE DRUMS (USA, 2010)
É inevitável quando se fala de novas bandas de 2010 nao se falar dos The Drums. Parafraseado Rui Reininho, estes "pós-modernos" entraram com um pé de gigante nesta década e fizeram um album (que saíu em Junho passado), a todos os níveis notável.
Ouve-se da primeira à última música sem saltar um unico segundo que seja. É um album absolutamente irrepreensivel, que me deu sensações muito parecidas quando na ultima decada ouvi por primeira vez "Is this it", "Turn on the bright lights", "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", "Youth & Young Manhood", "Franz Ferdinand", entre muitos outros. Penso que isto vos explica exactamente o que sinto em relação aos Drums.
Juntamente com The Pains of Being Pure at Heart e Yeasayer, também eles são as ultimas grandes referencias de Brooklin, onde parece estar a formar-se um movimento musical que promete e que me faz pensar em apanhar um avião e ir imeditamente viver para New York (ou seja Brooklin). Realmente os The Drums conseguem fazer um album absolutamente contemporâneo, dentro do estilo indie e cheio de grandes músicas. Poderemos estar na presença dum clássico – o tempo o dirá.
Depois da passagem pelo super Primavera Sound 2010, tocam a 13 de Novembro no Razzmatazz e eu obviamente já tenho o meu bilhete. Espero que vocês não percam a oportunidade única de os ver no Lux dois dias antes.
Me & The Moon
Forever & Ever Amen
Best Friend
É inevitável quando se fala de novas bandas de 2010 nao se falar dos The Drums. Parafraseado Rui Reininho, estes "pós-modernos" entraram com um pé de gigante nesta década e fizeram um album (que saíu em Junho passado), a todos os níveis notável.
Ouve-se da primeira à última música sem saltar um unico segundo que seja. É um album absolutamente irrepreensivel, que me deu sensações muito parecidas quando na ultima decada ouvi por primeira vez "Is this it", "Turn on the bright lights", "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", "Youth & Young Manhood", "Franz Ferdinand", entre muitos outros. Penso que isto vos explica exactamente o que sinto em relação aos Drums.
Juntamente com The Pains of Being Pure at Heart e Yeasayer, também eles são as ultimas grandes referencias de Brooklin, onde parece estar a formar-se um movimento musical que promete e que me faz pensar em apanhar um avião e ir imeditamente viver para New York (ou seja Brooklin). Realmente os The Drums conseguem fazer um album absolutamente contemporâneo, dentro do estilo indie e cheio de grandes músicas. Poderemos estar na presença dum clássico – o tempo o dirá.
Depois da passagem pelo super Primavera Sound 2010, tocam a 13 de Novembro no Razzmatazz e eu obviamente já tenho o meu bilhete. Espero que vocês não percam a oportunidade única de os ver no Lux dois dias antes.
Me & The Moon
Forever & Ever Amen
Best Friend
As novas tendências - O que ainda está por nascer
WCLOCK OPERA (UK, 2010)
Esta banda inglesa está a ter algum sucesso junto dos "blogueiros" e está um ser um mini-fenonemo cibernautico. Estão a trabalhar no primeiro album. Aqui vai o seu primeiro single:
FICTION (UK, 2010)
Muito recentes e recém formados este quarteto londrino é tudo menos convencional. Trocam constantemente de posições em palco, têm instrumentos "novos" que produzem sonoridades "novas" e fazem um género de musica que me é bastante dificil de classificar ainda. Não têm nenhum album, mas estão a trabalhar no primeiro projecto que deve saír ainda este ano. Estão a fazer uma mini tour pelo Reino Unido apresentando o que já têm finalizado. Uma tour pela Europa deverá surgir depois de lançado o tal primeiro album.
Fiquei entusiasmado com as musicas que tenho ouvido no myspace deles (http://www.myspace.com/fictionlondon) e os dois videos que estão no youtube e que aproveito para vos deixar aqui um:
WE ARE ANIMAL (Wales, 2010)
Esta banda do Pais de Gales constituiu-se em Dezembro de 2009, o que significa que têm apenas poucos meses de existencia. Estão em estudio a gravar o seu primeiro album que se vai chamar "1268". Do que ouvi até agora gostei bastante e faz-me ficar minimamente ansioso para saber o que realmente vem aí. Deixo-vos uma amostra:
Esta banda inglesa está a ter algum sucesso junto dos "blogueiros" e está um ser um mini-fenonemo cibernautico. Estão a trabalhar no primeiro album. Aqui vai o seu primeiro single:
FICTION (UK, 2010)
Muito recentes e recém formados este quarteto londrino é tudo menos convencional. Trocam constantemente de posições em palco, têm instrumentos "novos" que produzem sonoridades "novas" e fazem um género de musica que me é bastante dificil de classificar ainda. Não têm nenhum album, mas estão a trabalhar no primeiro projecto que deve saír ainda este ano. Estão a fazer uma mini tour pelo Reino Unido apresentando o que já têm finalizado. Uma tour pela Europa deverá surgir depois de lançado o tal primeiro album.
Fiquei entusiasmado com as musicas que tenho ouvido no myspace deles (http://www.myspace.com/fictionlondon) e os dois videos que estão no youtube e que aproveito para vos deixar aqui um:
WE ARE ANIMAL (Wales, 2010)
Esta banda do Pais de Gales constituiu-se em Dezembro de 2009, o que significa que têm apenas poucos meses de existencia. Estão em estudio a gravar o seu primeiro album que se vai chamar "1268". Do que ouvi até agora gostei bastante e faz-me ficar minimamente ansioso para saber o que realmente vem aí. Deixo-vos uma amostra:
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T-Rex - I drive a rolls royce 'cos it's good for my voice
Banda inglesa liderada pelo carismático Marc Bolan, o maior boss do Glam Rock juntamente com David Bowie.
Fizeram grandes albuns mas o mais conheçido e lendário é "Electric Warrior" de 1971.
Sem dúvida um dos meus albuns preferidos de sempre..Este disco transpira sensualidade aliada ao groove das guitarras e as letras que quase sempre falam de sexo.
Esta banda já fez muita gente feliz
Fizeram grandes albuns mas o mais conheçido e lendário é "Electric Warrior" de 1971.
Sem dúvida um dos meus albuns preferidos de sempre..Este disco transpira sensualidade aliada ao groove das guitarras e as letras que quase sempre falam de sexo.
Esta banda já fez muita gente feliz
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Black Keys - Brothers
Black Keys - Brothers

Brothers é o 6º Álbum dos Black Keys e que eu ando a ouvir "On repeat" ultimamente.
Os Black Keys são uma banda de Ohio que se formou em 2001, e é formada por Patrick Carney (Baterista) e Dan Auerbach (Vocalista/Guitarrista). Lançaram o seu primeiro álbum em 2002 "Big Come Up" seguido por " Thickfreakness" 2003, "Rubber Factury" 2004, "Magic Potion" 2006, "Attack & Release" 2008.
Gosto deste álbum não só pelas músicas, que vão do blues ao garage rock, mas também pelas letras, muito boas. O single deste album é "Tighten Up", a música mais comercial mas não menos má por isso, e que tem um video engraçado.
Deixo-vos aqui mais algumas músicas deste 6º Álbum "The Brothers".
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Arcade Fire & The Electric Prunes
Esta semana escrevo á terça por troca com o LG que escreve na quinta.
Apesar do Xico já ter falado dos Arcade Fire não posso deixar de falar do já tão esperado regresso.Sou um fã desde o primeiro albúm (Funeral)que só comecei a gostar a sério depois de ouvir uma segunda ou terceira vez. Foi um álbum quase perfeito na minha opinião, daqueles que se ouvem várias vezes num curto espaco de tempo e não saturam (ainda hoje oiço o album no mp3 as vezes que forem precisas). O Neon Bible teve um single promissor (Intervention)que me fazia antever outra obra-prima mas fiquei desiludido com o resultado final.
Este regresso na minha opinião é triunfante. As 4 primeiras musicas são irrepreensiveis, há um ligeiro decréscimo do nível depois mas conseguir um album com tanta qualidade em 16 musicas não é nada fácil e eles conseguiram-no. Cada música que acabava eu pensava que a próxima é que ia fazer vacilar o album mas não! Arrisco quase a dizer que está ao nível do funeral. Só não está ao nivel porque os primeiros albuns vêm com aquela aura de novidade que ninguém lhes tira. E para quem se lembra dessa aura o funeral será sempre o melhor álbum deles.
Deixo-vos também uma descoberta que fiz esta semana. Influências jazz, punk, rock. Influencia para bandas como os The Stooges.Um álbum brutal! Oiçam-no!
The Electric Prunes-I Had to Much To Dream (Last Night)(1967)
Train For Tomorrow
Apesar do Xico já ter falado dos Arcade Fire não posso deixar de falar do já tão esperado regresso.Sou um fã desde o primeiro albúm (Funeral)que só comecei a gostar a sério depois de ouvir uma segunda ou terceira vez. Foi um álbum quase perfeito na minha opinião, daqueles que se ouvem várias vezes num curto espaco de tempo e não saturam (ainda hoje oiço o album no mp3 as vezes que forem precisas). O Neon Bible teve um single promissor (Intervention)que me fazia antever outra obra-prima mas fiquei desiludido com o resultado final.
Este regresso na minha opinião é triunfante. As 4 primeiras musicas são irrepreensiveis, há um ligeiro decréscimo do nível depois mas conseguir um album com tanta qualidade em 16 musicas não é nada fácil e eles conseguiram-no. Cada música que acabava eu pensava que a próxima é que ia fazer vacilar o album mas não! Arrisco quase a dizer que está ao nível do funeral. Só não está ao nivel porque os primeiros albuns vêm com aquela aura de novidade que ninguém lhes tira. E para quem se lembra dessa aura o funeral será sempre o melhor álbum deles.
Deixo-vos também uma descoberta que fiz esta semana. Influências jazz, punk, rock. Influencia para bandas como os The Stooges.Um álbum brutal! Oiçam-no!
The Electric Prunes-I Had to Much To Dream (Last Night)(1967)
Train For Tomorrow
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
PÉROLAS A PORCOS I - Maria e Roberto
Tinha aqui um post sobre os The Raconteurs a sair do forninho, mas, quando abri o youtube, da janela das novidades cintilou este diamante irresistível. Querendo inaugurar o caderno "Brasil" neste nosso espaço semi-editorial, aqui fica este pedaço dos anos 80 (a década em que quase todos nascemos), protagonizado pelo Rei e pela Rainha da Música Popular Brasileira.
No 1º video destaco a melodia, o cabelo dela, a indumentária dele e o sorriso final.
No 2º destaco o inicio, toda a encenação, os adereços e o argumento.
Sons da minha infância - Lucio Dalla
Em face da trágica estreia do Benfica no campeonato, ontem não houve Bloody Sunday (ou se calhar até houve, mas não no sentido que mais me agradaria...).
Pois é; depois daquele balde de água fria que os Laionels e Júniores Paraíbas desta vida nos derramaram em cima, restou-me recolher aos lençois, fechar-me em posição fetal e aguardar que a azia passasse, rezando para que o Peixoto não volte a calçar no meio campo do Benfica.
Mas sou adepto da filosofia de que até nas maiores tragédias devemos procurar algo de bom. Assim, nesse estado semi-comatoso de quem acaba de levar uma tão inesperada quanto violenta vergastada nos dentes, enfiei-me no carro do meu pai para o trajecto estádio-casa, tentando encontrar algo que me animasse, ou que pelo menos me permitisse alhear da neura de uma derrota em casa em jogo de estreia.
Fechei os vidros, liguei o a/c, calei a TSF e o anticlímax das conferências de imprensa, e liguei o cd. Lá dentro estava um dos primeiros álbuns de que tenho memória: DallAmeriCaruso, de 1986. O Autor: Lucio Dalla.
Pouco sei da vida do homem. Sei (pela wikipedia) que começou por tocar jazz; que o seu primeiro disco data da década de sessenta; que continua a editar novos álbuns (não sei se originais ou best of dos best of) e que nasceu em Bolonha há 67 anos atrás. Sei que com uma versão de um tema seu (caruso) o Pavarotti vendeu milhões de discos. Sei também que tem a idade do meu pai e que para sempre confundirei o tom dos assobios de um e do outro. Desde criança adoro o ritmo das suas músicas, a sua voz quando arranca para rotações mais elevadas, e a cadência e a entoação das palavras cantadas em italiano.
Em suma, para além de me fazer recordar tempos em que não tinha de esperar meias décadas para ver o Benfica campeão, Lucio Dalla faz-me lembrar os primórdios irracionais da minha relação com a música. Acho que nunca me cansarei de o ouvir.
Pois é; depois daquele balde de água fria que os Laionels e Júniores Paraíbas desta vida nos derramaram em cima, restou-me recolher aos lençois, fechar-me em posição fetal e aguardar que a azia passasse, rezando para que o Peixoto não volte a calçar no meio campo do Benfica.
Mas sou adepto da filosofia de que até nas maiores tragédias devemos procurar algo de bom. Assim, nesse estado semi-comatoso de quem acaba de levar uma tão inesperada quanto violenta vergastada nos dentes, enfiei-me no carro do meu pai para o trajecto estádio-casa, tentando encontrar algo que me animasse, ou que pelo menos me permitisse alhear da neura de uma derrota em casa em jogo de estreia.
Fechei os vidros, liguei o a/c, calei a TSF e o anticlímax das conferências de imprensa, e liguei o cd. Lá dentro estava um dos primeiros álbuns de que tenho memória: DallAmeriCaruso, de 1986. O Autor: Lucio Dalla.
Pouco sei da vida do homem. Sei (pela wikipedia) que começou por tocar jazz; que o seu primeiro disco data da década de sessenta; que continua a editar novos álbuns (não sei se originais ou best of dos best of) e que nasceu em Bolonha há 67 anos atrás. Sei que com uma versão de um tema seu (caruso) o Pavarotti vendeu milhões de discos. Sei também que tem a idade do meu pai e que para sempre confundirei o tom dos assobios de um e do outro. Desde criança adoro o ritmo das suas músicas, a sua voz quando arranca para rotações mais elevadas, e a cadência e a entoação das palavras cantadas em italiano.
Em suma, para além de me fazer recordar tempos em que não tinha de esperar meias décadas para ver o Benfica campeão, Lucio Dalla faz-me lembrar os primórdios irracionais da minha relação com a música. Acho que nunca me cansarei de o ouvir.
As novas tendencias - The Pains Of Being Pure At Heart
Tomei a liberdade de vos escrever hoje também. Às 22h estarei à porta do Sidecar ansiosíssimo para ver a banda que finalmente parece estar a revitalizar toda uma geração de indie-rockeros. São de Brooklin, formaram-se em 2007 e fazem uma mistura perfeita de rock, pop e shoegaze. O seu primeiro album é de 2009 e chama-se The Pains Of Being Pure At Heart, tal como a banda.
São o que de melhor anda por aí e vão ser grandes. Muito grandes!
www.myspace.com/thepainsofbeingpureatheart
São o que de melhor anda por aí e vão ser grandes. Muito grandes!
www.myspace.com/thepainsofbeingpureatheart
sábado, 14 de agosto de 2010
A Espanha onde eu não vivo
Vivo na Catalunha, nobre região pertecente (ainda) a España. Aquí há já muitos séculos que se luta pelo reconhecimento da palavra nação. Dado este horizonte temporal se estender há já tanto século, a Catalunha pura começou também ela a sofrer influências de fora, embora sem nunca perder a sua indentidade e cultura.
Dada a pobreza existente no sul de Espanha nomeadamente na zona da Andaluzia, consequencia entre outras coisas, da guerra civil, muitos deixaram a agricultura e emigraram rumo ao trabalho excendetário existente no norte. Assim se justifica a existencia hoje em dia de tantos andaluzes na Catalunha. Com eles veio uma alicerce fulcral na cultura Espanhola – o flamenco. OLÉ!
O Flamenco tem origens no seculo XVIII e difunde-se sobretudo pela etnia cigana. Após vários anos e várias fases atinge o seu apogeu no início do século XX e juntamente às corridas de touros, às tapas e a Cervantes é o grande embaixador de uma das mais influentes e divulgadas culturas em todo o mundo, a espanhola. Como em qualquer género musical existe uma referência, no flamenco existe Camarón de la Isla. É sobre ele que vos vou falar hoje.
Camaron nasce Cádiz em 1950 pertencente a uma familia cigana de oito irmãos. Na adolescencia e face à sua cor de pele ser bastante clara em relação à etnia à qual pertence surge a alcunha de Camarón. Isto aliado ao facto de viver na Isla de León (San Fernando) na baía de Cadiz, faz com que Camarón automaticamente passe a ser o “Camarón de la Isla”.
Como qualquer rapaz proveniente destas origens, não se pode dizer que tenha sido rico em estudos. Cedo deixou a escola para ir ajudar o seu pai no trabalho que tinha num aldeamento rural que era visitado por muitos "cantautores" flamencos da altura. Isto começou, naturalmente a despertar curiosidade ao pequeno rapaz, que aos 7 anos e após a morte do seu pai, já cantava de forma esporádica em algumas tabernas locais. Aos 12 anos ganha o festival de flamenco de Córdoba, ao que se seguem dois anos a cantar por feiras na Andaluzia, seguindo-se a Europa e América. Aos 16 anos muda-se para Madrid e tem o primeiro contacto com Paco de Lucia. Este automaticamente reconhece o seu talento e não tem dúvidas a apelidá-lo de génio com uma voz e sentimento para o flamenco jamais visto até então. (“Los mejores momentos de mi vida los he pasado con Camaron” Paco de Lucia)
Grava com Paco de Lucia e durante anos produzem albuns como "Al verte las flores lloran" (1969), "Cada vez que nos miramos" (1970), "Canastera" (1972), "Caminito de Totana" (1973), "Son tus ojos dos estrellas" (1973), "Soy caminante" (1976), "Rosa Maria" (1976). Foram anos dourados em que o flamenco ultrapassou as fronteiras de Espanha, chegando aos 4 cantos do mundo.
Em, 1979 lança a solo “La leyenda del tiempo” o seu album mais mediático. Gravado em Sevilha, mistura o flamenco com jazz e rock e revoluciona uma vez mais o flamenco de uma forma impressionante. Torna o flamenco audível a todos, mesmo aos que não gostam de flamenco. Ultrapassa barreiras e torna-se exactamente naquílo que o album expõe na capa – Numa lenda do tempo.
É durante esta altura que surgem os êxitos “Volando Voy”, “Viejo Mundo”, “Nana del Caballo Grande”, e mais verdadeiras pérolas de esta sonoridade completamente nova e revolucionária.
La Leyenda del Tiempo (Album):
Com Paco de Lucia outra vez e juntamente a Tomatito, outro grande guitarrista, seguem-se os albuns “Como el Água” (1981), “Calle Real” (1984), “Vivere” (1984) e “Te lo dice Camaron” (1986). Dá três concertos memoráveis em Paris no ano de 1987, que são o culminar de uma década de 80 cheia de experimentações e apostas ganhas. Camarón é, nesta altura, o maior artista espanhol da sua geração.
Em 1989 surge outra vez a solo com “Soy Gitano”, o album mais vendido de sempre na história do flamenco (primeiro disco de ouro em Espanha com 50.000 cópias). Em 1992 volta a gravar com Paco de Lucia, que, em conjunto com Tomatito dão à luz “Potro de rabia y miel” - o ultimo album da sua vida.
Camarón foi um grande artista, e como muitos grandes artistas, tinha vícios. Além de um recorrente à heroína durante a sua juventude – droga que deixou de lado já no final dos anos 80 – Camarón tinha uma relação de extrema dependencia perante o tabaco. Fumava cerca de três maços de cigarro por dia, o que lhe provocou vários problemas. Foi-lhe diagnosticado um cancro no pulmão já no inicio dos anos 90. Nesta altura Camaron vivia em Barcelona. Morreu aos 41 anos, tendo hoje uma estátua na sua cidade natal. Morreu deixando um legando infinito de obras e de registos dos quais o flamenco jamais se poderá de dissociar. Camarón de la isla é flamenco, Camarón de la isla é España.
Em 2005 a sua vida é feita filme de seu nome “Camarón” - o tema do trailer é “Soy Gitano”. OLÉ!
Dada a pobreza existente no sul de Espanha nomeadamente na zona da Andaluzia, consequencia entre outras coisas, da guerra civil, muitos deixaram a agricultura e emigraram rumo ao trabalho excendetário existente no norte. Assim se justifica a existencia hoje em dia de tantos andaluzes na Catalunha. Com eles veio uma alicerce fulcral na cultura Espanhola – o flamenco. OLÉ!
O Flamenco tem origens no seculo XVIII e difunde-se sobretudo pela etnia cigana. Após vários anos e várias fases atinge o seu apogeu no início do século XX e juntamente às corridas de touros, às tapas e a Cervantes é o grande embaixador de uma das mais influentes e divulgadas culturas em todo o mundo, a espanhola. Como em qualquer género musical existe uma referência, no flamenco existe Camarón de la Isla. É sobre ele que vos vou falar hoje.
Camaron nasce Cádiz em 1950 pertencente a uma familia cigana de oito irmãos. Na adolescencia e face à sua cor de pele ser bastante clara em relação à etnia à qual pertence surge a alcunha de Camarón. Isto aliado ao facto de viver na Isla de León (San Fernando) na baía de Cadiz, faz com que Camarón automaticamente passe a ser o “Camarón de la Isla”.
Como qualquer rapaz proveniente destas origens, não se pode dizer que tenha sido rico em estudos. Cedo deixou a escola para ir ajudar o seu pai no trabalho que tinha num aldeamento rural que era visitado por muitos "cantautores" flamencos da altura. Isto começou, naturalmente a despertar curiosidade ao pequeno rapaz, que aos 7 anos e após a morte do seu pai, já cantava de forma esporádica em algumas tabernas locais. Aos 12 anos ganha o festival de flamenco de Córdoba, ao que se seguem dois anos a cantar por feiras na Andaluzia, seguindo-se a Europa e América. Aos 16 anos muda-se para Madrid e tem o primeiro contacto com Paco de Lucia. Este automaticamente reconhece o seu talento e não tem dúvidas a apelidá-lo de génio com uma voz e sentimento para o flamenco jamais visto até então. (“Los mejores momentos de mi vida los he pasado con Camaron” Paco de Lucia)
Grava com Paco de Lucia e durante anos produzem albuns como "Al verte las flores lloran" (1969), "Cada vez que nos miramos" (1970), "Canastera" (1972), "Caminito de Totana" (1973), "Son tus ojos dos estrellas" (1973), "Soy caminante" (1976), "Rosa Maria" (1976). Foram anos dourados em que o flamenco ultrapassou as fronteiras de Espanha, chegando aos 4 cantos do mundo.
Em, 1979 lança a solo “La leyenda del tiempo” o seu album mais mediático. Gravado em Sevilha, mistura o flamenco com jazz e rock e revoluciona uma vez mais o flamenco de uma forma impressionante. Torna o flamenco audível a todos, mesmo aos que não gostam de flamenco. Ultrapassa barreiras e torna-se exactamente naquílo que o album expõe na capa – Numa lenda do tempo.
É durante esta altura que surgem os êxitos “Volando Voy”, “Viejo Mundo”, “Nana del Caballo Grande”, e mais verdadeiras pérolas de esta sonoridade completamente nova e revolucionária.
La Leyenda del Tiempo (Album):
Com Paco de Lucia outra vez e juntamente a Tomatito, outro grande guitarrista, seguem-se os albuns “Como el Água” (1981), “Calle Real” (1984), “Vivere” (1984) e “Te lo dice Camaron” (1986). Dá três concertos memoráveis em Paris no ano de 1987, que são o culminar de uma década de 80 cheia de experimentações e apostas ganhas. Camarón é, nesta altura, o maior artista espanhol da sua geração.
Em 1989 surge outra vez a solo com “Soy Gitano”, o album mais vendido de sempre na história do flamenco (primeiro disco de ouro em Espanha com 50.000 cópias). Em 1992 volta a gravar com Paco de Lucia, que, em conjunto com Tomatito dão à luz “Potro de rabia y miel” - o ultimo album da sua vida.
Camarón foi um grande artista, e como muitos grandes artistas, tinha vícios. Além de um recorrente à heroína durante a sua juventude – droga que deixou de lado já no final dos anos 80 – Camarón tinha uma relação de extrema dependencia perante o tabaco. Fumava cerca de três maços de cigarro por dia, o que lhe provocou vários problemas. Foi-lhe diagnosticado um cancro no pulmão já no inicio dos anos 90. Nesta altura Camaron vivia em Barcelona. Morreu aos 41 anos, tendo hoje uma estátua na sua cidade natal. Morreu deixando um legando infinito de obras e de registos dos quais o flamenco jamais se poderá de dissociar. Camarón de la isla é flamenco, Camarón de la isla é España.
Em 2005 a sua vida é feita filme de seu nome “Camarón” - o tema do trailer é “Soy Gitano”. OLÉ!
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Arcade Fire -The Suburbs

Sendo os Arcade Fire uma das minhas bandas preferidas, era com grande expectativa que esperava pelo seu 3º álbum The Suburbs.
Tendo a consciência que seria muito difícil para os Arcade Fire, criarem o impacto que conseguiram com os seus dois 1ºs álbuns (Funeral e Neon Bible), acho que este 3º álbum é bom, embora não sendo um álbum fácil de se ouvir nas 1ºs vezes.
Por enquanto ficaram-me no ouvido os temas "Ready to Start" "Month Of May" e "Empty Room".
No passado dia 5 de Agosto os Arcade Fire deram um concerto em Madison Square Garden, em que existia uma grande expectativa e que os Arcade Fire não defraudaram (segundo as criticas que tive oportunidade de ler). Não era de esperar outra coisa pois um dos seus pontos fortes são as suas actuações ao vivo, em que a banda consegue transmitir toda a sua energia para o publico.
Este concerto teve oportunidade de ser transmitido em directo pela internet através de uma parceira entre o Youtube e VEVO, e foi realizado pelo mítico ex-Monty Python, Sir Terry Gilliam.
Setlist:
- Ready to Start
- Neighborhood #2 (Laika)
- No Cars Go
- Haiti
- Half Light II (No Celebration)
- Rococo
-The Suburbs
-The Suburbs (Continued)
-Crown of Love
- Intervention
- We Used to Wait
- Neighborhood #3 (Power Out)
- Rebellion (Lies)
- Month of May
- Neighborhood #1 (Tunnels)
Encore:
- Keep the Car Running
- Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
- Wake Up
Ficamos então a aguardar ansiosamente pelo concerto deles em Portugal no dia 18 de novembro no pavilhão atlântico, que segundo as ultimas noticias pode vir ser adiado devido a uma cimeira da NATO, mas que Álvaro Covões da Everything Is New em declarações ao Correio da Manhã garante " apesar das medidas de segurança impostas pela Cimeira da NATO o concerto dos Arcade Fire, não vai ser cancelado, adiado ou antecipado".
Deixo-vos aqui o link para o canal no youtube onde podem ver o concerto em Madison Square Garden.
Espero que gostem!
Francisco Coimbra
Álbuns da Semana
Já falei a semana passada sobre os Velvet Underground a propósito da Nico. Hesitei em pôr aqui mais um video relacionado com eles mas de facto este album é um clássico (o famoso da banana do andy Warhol), e esta música linda. Reparem na senhora que apresenta o video a abrir as mãos no ar a lançar o video parece que a pedir-nos que entremos num sonho bom ao ouvi-los. A música acaba aos 3:oo depois volta a repetir mas tinha de por este video. Era o único onde aparecia Lou Reed e John Cale juntos a tocar ao vivo.Curtam!
The Velvet Underground-The Velvet Underground and Nico (1967)
Sunday Morning
Segue-se uma banda de culto. Fui viciado neles numa certa altura da minha vida. Ouvi os albuns todos e este é o meu preferido. Jim Morrison é a figura de destaque mas ao conhecer a banda percebe-se a importância enorme do orgão de Ray Manzarek, da guitarra de Robby Krieger e da bateria de John Densmore. Para mim que nunca percebi bem a "poesia" do Jim Morrison, sempre fui mais apaixonado pela melodia das músicas do que propriamente pelas letras. Aqui fica um exemplo disso. Uma música que sempre ouvi em repeat e que nunca soube bem o seu significado. Deve ser esse o próposito: Deixar ao nosso critério a interpretação.
The Doors-The Doors (1967)
The Crystal Ship
Agora uma banda que já tinha vindo a ouvir desde há algumas semanas e sempre com a sensação: epa estes gajos são bons mas são muito parecidos com muita música que se fazia na altura. É verdade que parecem uns Beatles nº 2 em certas alturas mas ao ouvi-los com atenção percebemos que têm uma personalidade própria daí terem tido na altura o seu público fiel. Destaco aqui uma das músicas que me ficou mais no ouvido.
The Byrds-Younger Than Yesterday (1967)
My Back Pages
Deixo-vos também aqui um som que vão reconhecer logo. Foi uma descoberta agradável. Têm um som limpo e quase inocente eu diria mas ao mesmo tempo com muitas influencias como o jazz e o gospel! Oiçam com atenção o album todo que vale mesmo a pena.
The Young Rascals-Groovin(1967)
Groovin
Estes, lembro-me de os ter ouvido por altura dos Doors. Faziam as primeiras partes dos concertos. Lembro-me de de ter visto um filme da digressão deles a amesterdão.Este é o album mais consagrado deles que inclui 2 músicas do conhecimento comum. Eram os representantes fiéis da cena musical de São Francisco na altura.
Jefferson Airplane-Surrealistic Pillow (1967)
Somebody To Love
Por fim outra descoberta! A descoberta de um grande som e a descoberta da minha constante ignorância em relação á música. Pergunto-me sempre como é possível, após já ter ouvido muita música, como é que ainda não conhecia esta banda ou outra. Este é um desses casos. Um álbum cativante e muito ao nível do que de melhor se fazia na altura!
Donovan-Sunshine Superman(1967)
Season Of The Witch
Fica uma nota: Todos estes álbuns podem ser ouvidos em www.grooveshark.com.
Abraços
Xavier
The Velvet Underground-The Velvet Underground and Nico (1967)
Sunday Morning
Segue-se uma banda de culto. Fui viciado neles numa certa altura da minha vida. Ouvi os albuns todos e este é o meu preferido. Jim Morrison é a figura de destaque mas ao conhecer a banda percebe-se a importância enorme do orgão de Ray Manzarek, da guitarra de Robby Krieger e da bateria de John Densmore. Para mim que nunca percebi bem a "poesia" do Jim Morrison, sempre fui mais apaixonado pela melodia das músicas do que propriamente pelas letras. Aqui fica um exemplo disso. Uma música que sempre ouvi em repeat e que nunca soube bem o seu significado. Deve ser esse o próposito: Deixar ao nosso critério a interpretação.
The Doors-The Doors (1967)
The Crystal Ship
Agora uma banda que já tinha vindo a ouvir desde há algumas semanas e sempre com a sensação: epa estes gajos são bons mas são muito parecidos com muita música que se fazia na altura. É verdade que parecem uns Beatles nº 2 em certas alturas mas ao ouvi-los com atenção percebemos que têm uma personalidade própria daí terem tido na altura o seu público fiel. Destaco aqui uma das músicas que me ficou mais no ouvido.
The Byrds-Younger Than Yesterday (1967)
My Back Pages
Deixo-vos também aqui um som que vão reconhecer logo. Foi uma descoberta agradável. Têm um som limpo e quase inocente eu diria mas ao mesmo tempo com muitas influencias como o jazz e o gospel! Oiçam com atenção o album todo que vale mesmo a pena.
The Young Rascals-Groovin(1967)
Groovin
Estes, lembro-me de os ter ouvido por altura dos Doors. Faziam as primeiras partes dos concertos. Lembro-me de de ter visto um filme da digressão deles a amesterdão.Este é o album mais consagrado deles que inclui 2 músicas do conhecimento comum. Eram os representantes fiéis da cena musical de São Francisco na altura.
Jefferson Airplane-Surrealistic Pillow (1967)
Somebody To Love
Por fim outra descoberta! A descoberta de um grande som e a descoberta da minha constante ignorância em relação á música. Pergunto-me sempre como é possível, após já ter ouvido muita música, como é que ainda não conhecia esta banda ou outra. Este é um desses casos. Um álbum cativante e muito ao nível do que de melhor se fazia na altura!
Donovan-Sunshine Superman(1967)
Season Of The Witch
Fica uma nota: Todos estes álbuns podem ser ouvidos em www.grooveshark.com.
Abraços
Xavier
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Autor convidado: Vasco Thomaz - Wiki Musica
"Definir a música não é tarefa fácil porque apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o som e o organiza no tempo. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-la, a música já se modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e emocional. Como "arte do efêmero", a música não pode ser completamente conhecida e por isso é tão difícil enquadrá-la em um conceito simples. A música também pode ser definida como uma forma linguagem que se utiliza da voz, instrumentos musicais e outros artifícios, para expressar algo à alguém."
talvez seja da fase de vida onde me encontro ..ou talvez não.....
mas acredito que realmente a musica serve o proposito de expressar algo a alguem,nem que seja a nos mesmo......
aqui deixo uma musica que pos no facebook algumas semanas....que para mim...(alem do efeito novidade e de ser de uma banda desconhecida) tem tudo o que para mim significa musica no significado mais primitivo...
o feel good ,a mensagem....e acima de tudo ve-los sempre a sentir...ainda para mais numa simples ida a uma radio
vou aproveitar e vou acabar como começei a citar, um dos comentarios que apanhei num video deles....
Who cares if they were on drugs? This is a beautiful song. It makes me feel so happy. Love this band.
meu mustinhos.
talvez seja da fase de vida onde me encontro ..ou talvez não.....
mas acredito que realmente a musica serve o proposito de expressar algo a alguem,nem que seja a nos mesmo......
aqui deixo uma musica que pos no facebook algumas semanas....que para mim...(alem do efeito novidade e de ser de uma banda desconhecida) tem tudo o que para mim significa musica no significado mais primitivo...
o feel good ,a mensagem....e acima de tudo ve-los sempre a sentir...ainda para mais numa simples ida a uma radio
vou aproveitar e vou acabar como começei a citar, um dos comentarios que apanhei num video deles....
Who cares if they were on drugs? This is a beautiful song. It makes me feel so happy. Love this band.
meu mustinhos.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Before I Jump like a monkey, give me a banana #2
Em plena canícula lisboeta, decidimos para a rubrica desta semana continuar pela Música Africana.
Começamos pelo Zimbabué, isso mesmo Zimbabué.
O cantor em sugestão é Thomas Mapfumo. Cantor e compositor, também ele usou a sua música como forma de protesto, neste caso contra o regime corrupto e sufocador de Robert Mugabe. Este activismo valeu-lhe a alcunha de "The Lion of Zimbabué". Foi o criador dum genero de música chamado de Chimurenga o qual se tornou conhecido por ser dançado duma forma muito lenta e sensual.
Proponho então que escutemos agora um tema do Leão do Zimbabué:
Fazendo agora uma pequena chamada ao universo indie chamo a atenção para a influencia deste tipo de ritmo na musica de bandas como os Vampire Weekend ou os The Very Best:
Proponho agora um curto salto até à Serra Leoa, onde reside um surpreendente projecto que mistura música africana com reggae e dub. Sierra Leone Refugee All Stars. É um projecto singular que nasceu nos campos de refugiados da Serra Leoa durante os anos da sangrenta guerra civil, a sua música é um grito de revolta muito diferente daqueles a que estamos habituados uma vez que onde espravamos encontrar palavras de raiva e violencia encontramos antes uma voz de esperança e optimismo que nos remete para muito longe do local onde foram concebidas as letras e música.
Incrivel o groove da malha que agora vos proponho:
Música arrancada à guerra!
Voltamos para a semana com mais músicas do mundo.
Continuação de boa canicula!
Começamos pelo Zimbabué, isso mesmo Zimbabué.
O cantor em sugestão é Thomas Mapfumo. Cantor e compositor, também ele usou a sua música como forma de protesto, neste caso contra o regime corrupto e sufocador de Robert Mugabe. Este activismo valeu-lhe a alcunha de "The Lion of Zimbabué". Foi o criador dum genero de música chamado de Chimurenga o qual se tornou conhecido por ser dançado duma forma muito lenta e sensual.
Proponho então que escutemos agora um tema do Leão do Zimbabué:
Fazendo agora uma pequena chamada ao universo indie chamo a atenção para a influencia deste tipo de ritmo na musica de bandas como os Vampire Weekend ou os The Very Best:
Proponho agora um curto salto até à Serra Leoa, onde reside um surpreendente projecto que mistura música africana com reggae e dub. Sierra Leone Refugee All Stars. É um projecto singular que nasceu nos campos de refugiados da Serra Leoa durante os anos da sangrenta guerra civil, a sua música é um grito de revolta muito diferente daqueles a que estamos habituados uma vez que onde espravamos encontrar palavras de raiva e violencia encontramos antes uma voz de esperança e optimismo que nos remete para muito longe do local onde foram concebidas as letras e música.
Incrivel o groove da malha que agora vos proponho:
Música arrancada à guerra!
Voltamos para a semana com mais músicas do mundo.
Continuação de boa canicula!
PARALELOS I - Julian Plenti
Sob o pseudónimo de Julian Plenti o vocalista dos Interpol, Paul Banks, lançou-se num projecto a solo que intitulou de "Julian Plenti...is Skyscraper". A sua edição celebra agora um ano, justificando recuperar aqui duas faixas de um álbum que acabou por passar algo despercebido mas que merecia mais aceitação.
Julian Plenti - Only If You Run
Julian Plenti - "Games For Days"
domingo, 8 de agosto de 2010
Bloody Sunday - o Zé Manel fancês
Sou o José-Manuel e nasci em Paris há 49 anos atrás. O meu pai é galego – jornalista e escritor reconhecido na região – e a minha mãe Basca. Porém, graças ao Franco e ao Franquismo, regime de ferro que assassinou milhares de espanhóis em geral, e o meu avô paterno em particular, eu sou francês.
Pouco tempo depois de eu nascer os meus pais voltaram a mudar-se, agora de Paris para Boulogne-Billancourt, onde passei a minha infância a jogar à bola com os filhos dos operários da fábrica da Renault, que era bem perto da nossa casa. Para além do futebol, que sempre me encantou, desde pequeno que sou apaixonado pela música. Não espanta por isso que, em moleque, quando não estava a correr atrás da bola, os meus serões caseiros se passassem em frente ao rádio e ao gira-discos, muitas vezes com o meu pai e os seus amigos artistas e intelectuais, ouvindo desde Chuck Berry a músicas revolucionárias espanholas. De resto, o meu gosto musical sempre foi muito ecléctico, e assim se manteve até os dias de hoje.
Na adolescência fui apanhado pelo panorama crescente do Rock Britânico, e logo me amarrei nos The Clash, banda que muito influenciou o meu primeiro projecto musical: uma banda rockabilly formada por volta de 1984 chamada les Hot Pants, na qual tocavam entre outros o meu primo Santi, o baterista.
Com os les Hot Pants toquei numa série de bares e armazéns abandonados para multidões de jovens franceses sedentos de algo diferente, de uma alternativa à cultura musical massificada.
Na mesma onda de indie rock francês dos anos 80 iniciei uns anos mais tarde, em 1986, um novo projecto: os Los Carayos, banda na qual toquei também com o meu irmão Tonio, o trompetista.
Este segundo projecto, contudo, não durou muito, pois em 1987 foi dado o pontapé de saída do meu primeiro grande amor: la Mano Negra.
La Mano Negra é (terá sido?), antes de mais, uma lendária organização anarquista, alegadamente fundada na Andaluzia, que terá operado em Espanha na segunda metade do Século XIX. Paralelamente, e naquilo que directamente me diz respeito, la Mano Negra foi (e esta foi mesmo) uma banda, composta por dez membros, que formei com o meu primo Santi e o meu irmão Tonio, na qual misturámos ritmos e sons como o punk rock, o ska, o reggae, a salsa e o flamenco, e na qual pude tocar e cantar músicas que compus e que, por vários motivos, não tinha conseguido encaixar nos meus anteriores projectos musicais. Desde cedo que cantei em várias línguas: francês, inglês, castelhano, galego, basco, português e até, nalguns casos, árabe. Acima de tudo, la Mano Negra foi o nosso primeiro veículo para o reconhecimento internacional. Em 1987 lançamos o nosso primeiro álbum, chamado Patchanka, no qual se destacou o tema Mala Vida.
A música bombou e em breve estávamos a assinar contrato com a Virgin! Ao Patchanka seguiram-se os álbuns Puta’s Fever (talvez o mais conhecido), King of Bongo e, já depois da separação da banda (aliás, grande parte do sucesso que alcançámos chegou depois da separação), Casa Babylon.
Muita gente ligada à cena alternativa francesa achou que o facto de termos fechado com a Virgin nos tinha transformado nuns vendidos. Da minha parte, não concordo. Pagaram-nos as viagens e permitiram-nos aprofundar e expandir as nossas raízes musicais. Aliás, se dúvidas restassem, basta pôr os olhos nas tournées que fizemos para perceber que não passámos a ser uns comercialóides: em inícios da década de 90 saímos de Nantes a bordo de um cargueiro chamado Melquiades, juntamente com uma companhia de teatro e de artes circenses, rumo à América Latina. Nessa (adequadamente) chamada Cargo Tour fizemos todo o continente de barco, e tocámos de graça em anfiteatros e praças públicas das cidades portuárias por onde passámos, perante multidões de pessoas, em muitos casos totalmente desacostumadas a receber bandas estrangeiras. Tudo isto em países como o Peru, o Equador, República Dominicana, Cuba, Venezuela, México, Brasil, Uruguai, Argentina e Colômbia. Mais tarde tentámos uma tournée nos EUA, onde chegámos a fazer a primeira parte de um concerto de Iggy Pop, mas dada a fraca aceitação do público logo percebemos que não estávamos propriamente talhados para o mercado anglo-saxónico (muito embora até cantássemos algumas músicas exclusivamente em inglês). Finalmente, em 1993 percorremos toda a Colômbia a bordo de um comboio, tocando também de graça nas mais remotas populações, numa viagem que deu origem a um livro escrito pelo meu pai sob o título Mano Negra na Colômbia: um comboio de gelo e fogo.
No final da viagem pela Colômbia, e talvez como reflexo de tantos meses juntos vivendo em condições económicas deploráveis, todos os membros da banda excepto eu e o teclista decidiram voltar para Paris. Foi uma grande desilusão. Fiquei mais uns tempos na Colômbia até que também eu decidi voltar para a Europa, onde me instalei em Madrid e, com alguns ex-Mano Negra, comecei o projecto Rádio Bemba (nome do sistema de comunicações utilizado por Castro e Guevara na Sierra Maestra, aquando da revolução cubana). Contudo, a coisa foi efémera. Entrei em depressão e mandei-me de volta para a América Latina.
De volta ao lugar onde criei raízes, iniciei uma viagem de sete ou oito anos seguindo o rumo das vacas (sim, das vacas! De loucos, não?). Onde havia vacas eu ia. Onde não as havia eu não entrava. Bastava um triângulo de queijo da vaca que ri para que eu me sentisse no lugar certo. Foi uma travessia no deserto durante a qual fui guardando uma espécie de diário musical das minhas viagens. Pensava que a minha carreira artística estava acabada. Tinha-me despedido da ideia de ser músico para a vida, no entanto, não queria acabar sem tirar de dentro de mim os sons que vinha acumulando e que me zumbiam nos ouvidos. Passei uma temporada no Rio de Janeiro,
outra no México (chiapas, Oaxaca, etc...),
outra na Colômbia...
Foi uma fase na qual busquei inspiração, sobretudo, na cultura de rua e dos bares manhosos da América Central e do Sul... sempre com a minha inseparável maleta de gravação portátil, sempre viajando clandestino.
Clandestino viajei e, em 1998, com recurso apenas à minha maleta de gravação portátil, Clandestino gravei os registos das minhas viagens. Essencialmente cantado em castelhano, acabei por fazer um álbum marcadamente latino, mas distante dos ritmos tipicamente orientados para a dança, tão próprios da música latina.
Muito embora tenha demorado uns meses a descolar, e para minha grande surpresa, Clandestino, lançado em Abril de 98, era já pelo fim desse mesmo ano um dos álbuns mais vendidos em França e um dos álbuns franceses mais vendidos no estrangeiro. Com esse disco me dei a conhecer ao mundo e me reconciliei com a música.
Em 2001 lancei o meu segundo álbum a solo: Próxima Estación: Esperanza.
Foi igualmente um sucesso, tendo trepado ao topo de várias publicações musicais europeias num período de semanas. De um momento para o outro vi-me na capa do Wall Street Journal e, em Dezembro, vi-me até entalado entre o Bob Dylan e a Bjork na lista dos 10 melhores álbuns do ano para a Rolling Stone!
Porém, o sucesso não me mudou os hábitos nem os ideais, e após a tournée Rádio Bemba Sound System continuei a tocar de graça em prisões, em centros e fóruns culturais e em manifestações anti-globalização.
Desde então, e até 2005, rescindi com a Virgin, colaborei com o duo de artistas malianos Amadou & Mariam
com a Jane Birkin
com os jamaicanos Toots & The Maytals
Radiquei-me em Paris e lancei o álbum Sibérie m'était contée, distante dos humores sudakas, escrito essencialmente em francês e inspirado pelo frio siberiano do Inverno europeu (isto para quem, como eu, está habituado a temperaturas próprias de outras latitudes).
Mudei-me para Barcelona e cheguei a abrir um bar na Calle Escudellers,
Em 2005, porém, pus-me novamente a andar rumo ao Brasil para tocar no Fórum Social Mundial, que se realizou em Porto Alegre. Daí segui viagem para São Paulo e depois para o Recife, tocando pelo meio uma série de concertos com o grupo francês La Phaze. Entre 2005 e 2006 fiz ainda uma tournée com os Rádio Bemba enquanto viajámos novamente por Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Chile, Cuba e México. No total, tocámos para cerca de 700.000 pessoas. Mas o mais impressionante foi no México, onde no dia 26 de Março de 2006 pude reafirmar o meu apoio ao Sub-Comandante Marcos, Chefe do EZLN, perante as 150.000 pessoas que nos vieram assistir na praça Zocalo, na Cidade do México.
À digressão sul-americana seguiu-se uma nova tournée pela Europa, e uma participação musical no filme Princesas, do realizador espanhol Fernando Leon de Aranoa. A música em questão foi me llaman calle, sobre as nobres princesas de rua que desde tempos imemoriais trabalham para satisfazer os apetites de homens famintos, e rendeu-me um prémio Goya.
Também no cinema participei ainda no filme do Kusturica sobre o Maradona, com o tema La Vida Tombola – musica dedicada a um dos meus ídolos de todos os tempos.
De um momento para o outro parece que o mundo pop me descobriu, ao ponto do Robbie Williams ter incluído no seu álbum Rudebox, de 2006, uma versão do meu Je ne t’aime plus...
Em 2007, finalmente, lancei o meu último álbum, La Radiolina, no qual tentei regressar às raízes de La Mano Negra, cantando novamente em inglês, castelhano, francês, português, e agora também em italiano.
Trotamundos nómada, alma rebelde, amante da liberdade e da natureza, observo e escuto e assim aprendo. Eterno músico de bairro, fiel às minhas raízes rockeiras, em dívida com o reggae, pendente dos tambores africanos, conto contos agarrado à rumba com misturas electrónicas; canto a história e ponho-a a dançar.
Chao
Pouco tempo depois de eu nascer os meus pais voltaram a mudar-se, agora de Paris para Boulogne-Billancourt, onde passei a minha infância a jogar à bola com os filhos dos operários da fábrica da Renault, que era bem perto da nossa casa. Para além do futebol, que sempre me encantou, desde pequeno que sou apaixonado pela música. Não espanta por isso que, em moleque, quando não estava a correr atrás da bola, os meus serões caseiros se passassem em frente ao rádio e ao gira-discos, muitas vezes com o meu pai e os seus amigos artistas e intelectuais, ouvindo desde Chuck Berry a músicas revolucionárias espanholas. De resto, o meu gosto musical sempre foi muito ecléctico, e assim se manteve até os dias de hoje.
Na adolescência fui apanhado pelo panorama crescente do Rock Britânico, e logo me amarrei nos The Clash, banda que muito influenciou o meu primeiro projecto musical: uma banda rockabilly formada por volta de 1984 chamada les Hot Pants, na qual tocavam entre outros o meu primo Santi, o baterista.
Com os les Hot Pants toquei numa série de bares e armazéns abandonados para multidões de jovens franceses sedentos de algo diferente, de uma alternativa à cultura musical massificada.
Na mesma onda de indie rock francês dos anos 80 iniciei uns anos mais tarde, em 1986, um novo projecto: os Los Carayos, banda na qual toquei também com o meu irmão Tonio, o trompetista.
Este segundo projecto, contudo, não durou muito, pois em 1987 foi dado o pontapé de saída do meu primeiro grande amor: la Mano Negra.
La Mano Negra é (terá sido?), antes de mais, uma lendária organização anarquista, alegadamente fundada na Andaluzia, que terá operado em Espanha na segunda metade do Século XIX. Paralelamente, e naquilo que directamente me diz respeito, la Mano Negra foi (e esta foi mesmo) uma banda, composta por dez membros, que formei com o meu primo Santi e o meu irmão Tonio, na qual misturámos ritmos e sons como o punk rock, o ska, o reggae, a salsa e o flamenco, e na qual pude tocar e cantar músicas que compus e que, por vários motivos, não tinha conseguido encaixar nos meus anteriores projectos musicais. Desde cedo que cantei em várias línguas: francês, inglês, castelhano, galego, basco, português e até, nalguns casos, árabe. Acima de tudo, la Mano Negra foi o nosso primeiro veículo para o reconhecimento internacional. Em 1987 lançamos o nosso primeiro álbum, chamado Patchanka, no qual se destacou o tema Mala Vida.
A música bombou e em breve estávamos a assinar contrato com a Virgin! Ao Patchanka seguiram-se os álbuns Puta’s Fever (talvez o mais conhecido), King of Bongo e, já depois da separação da banda (aliás, grande parte do sucesso que alcançámos chegou depois da separação), Casa Babylon.
Muita gente ligada à cena alternativa francesa achou que o facto de termos fechado com a Virgin nos tinha transformado nuns vendidos. Da minha parte, não concordo. Pagaram-nos as viagens e permitiram-nos aprofundar e expandir as nossas raízes musicais. Aliás, se dúvidas restassem, basta pôr os olhos nas tournées que fizemos para perceber que não passámos a ser uns comercialóides: em inícios da década de 90 saímos de Nantes a bordo de um cargueiro chamado Melquiades, juntamente com uma companhia de teatro e de artes circenses, rumo à América Latina. Nessa (adequadamente) chamada Cargo Tour fizemos todo o continente de barco, e tocámos de graça em anfiteatros e praças públicas das cidades portuárias por onde passámos, perante multidões de pessoas, em muitos casos totalmente desacostumadas a receber bandas estrangeiras. Tudo isto em países como o Peru, o Equador, República Dominicana, Cuba, Venezuela, México, Brasil, Uruguai, Argentina e Colômbia. Mais tarde tentámos uma tournée nos EUA, onde chegámos a fazer a primeira parte de um concerto de Iggy Pop, mas dada a fraca aceitação do público logo percebemos que não estávamos propriamente talhados para o mercado anglo-saxónico (muito embora até cantássemos algumas músicas exclusivamente em inglês). Finalmente, em 1993 percorremos toda a Colômbia a bordo de um comboio, tocando também de graça nas mais remotas populações, numa viagem que deu origem a um livro escrito pelo meu pai sob o título Mano Negra na Colômbia: um comboio de gelo e fogo.
No final da viagem pela Colômbia, e talvez como reflexo de tantos meses juntos vivendo em condições económicas deploráveis, todos os membros da banda excepto eu e o teclista decidiram voltar para Paris. Foi uma grande desilusão. Fiquei mais uns tempos na Colômbia até que também eu decidi voltar para a Europa, onde me instalei em Madrid e, com alguns ex-Mano Negra, comecei o projecto Rádio Bemba (nome do sistema de comunicações utilizado por Castro e Guevara na Sierra Maestra, aquando da revolução cubana). Contudo, a coisa foi efémera. Entrei em depressão e mandei-me de volta para a América Latina.
De volta ao lugar onde criei raízes, iniciei uma viagem de sete ou oito anos seguindo o rumo das vacas (sim, das vacas! De loucos, não?). Onde havia vacas eu ia. Onde não as havia eu não entrava. Bastava um triângulo de queijo da vaca que ri para que eu me sentisse no lugar certo. Foi uma travessia no deserto durante a qual fui guardando uma espécie de diário musical das minhas viagens. Pensava que a minha carreira artística estava acabada. Tinha-me despedido da ideia de ser músico para a vida, no entanto, não queria acabar sem tirar de dentro de mim os sons que vinha acumulando e que me zumbiam nos ouvidos. Passei uma temporada no Rio de Janeiro,
outra no México (chiapas, Oaxaca, etc...),
outra na Colômbia...
Foi uma fase na qual busquei inspiração, sobretudo, na cultura de rua e dos bares manhosos da América Central e do Sul... sempre com a minha inseparável maleta de gravação portátil, sempre viajando clandestino.
Clandestino viajei e, em 1998, com recurso apenas à minha maleta de gravação portátil, Clandestino gravei os registos das minhas viagens. Essencialmente cantado em castelhano, acabei por fazer um álbum marcadamente latino, mas distante dos ritmos tipicamente orientados para a dança, tão próprios da música latina.
Muito embora tenha demorado uns meses a descolar, e para minha grande surpresa, Clandestino, lançado em Abril de 98, era já pelo fim desse mesmo ano um dos álbuns mais vendidos em França e um dos álbuns franceses mais vendidos no estrangeiro. Com esse disco me dei a conhecer ao mundo e me reconciliei com a música.
Em 2001 lancei o meu segundo álbum a solo: Próxima Estación: Esperanza.
Foi igualmente um sucesso, tendo trepado ao topo de várias publicações musicais europeias num período de semanas. De um momento para o outro vi-me na capa do Wall Street Journal e, em Dezembro, vi-me até entalado entre o Bob Dylan e a Bjork na lista dos 10 melhores álbuns do ano para a Rolling Stone!
Porém, o sucesso não me mudou os hábitos nem os ideais, e após a tournée Rádio Bemba Sound System continuei a tocar de graça em prisões, em centros e fóruns culturais e em manifestações anti-globalização.
Desde então, e até 2005, rescindi com a Virgin, colaborei com o duo de artistas malianos Amadou & Mariam
com a Jane Birkin
com os jamaicanos Toots & The Maytals
Radiquei-me em Paris e lancei o álbum Sibérie m'était contée, distante dos humores sudakas, escrito essencialmente em francês e inspirado pelo frio siberiano do Inverno europeu (isto para quem, como eu, está habituado a temperaturas próprias de outras latitudes).
Mudei-me para Barcelona e cheguei a abrir um bar na Calle Escudellers,
Em 2005, porém, pus-me novamente a andar rumo ao Brasil para tocar no Fórum Social Mundial, que se realizou em Porto Alegre. Daí segui viagem para São Paulo e depois para o Recife, tocando pelo meio uma série de concertos com o grupo francês La Phaze. Entre 2005 e 2006 fiz ainda uma tournée com os Rádio Bemba enquanto viajámos novamente por Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Chile, Cuba e México. No total, tocámos para cerca de 700.000 pessoas. Mas o mais impressionante foi no México, onde no dia 26 de Março de 2006 pude reafirmar o meu apoio ao Sub-Comandante Marcos, Chefe do EZLN, perante as 150.000 pessoas que nos vieram assistir na praça Zocalo, na Cidade do México.
À digressão sul-americana seguiu-se uma nova tournée pela Europa, e uma participação musical no filme Princesas, do realizador espanhol Fernando Leon de Aranoa. A música em questão foi me llaman calle, sobre as nobres princesas de rua que desde tempos imemoriais trabalham para satisfazer os apetites de homens famintos, e rendeu-me um prémio Goya.
Também no cinema participei ainda no filme do Kusturica sobre o Maradona, com o tema La Vida Tombola – musica dedicada a um dos meus ídolos de todos os tempos.
De um momento para o outro parece que o mundo pop me descobriu, ao ponto do Robbie Williams ter incluído no seu álbum Rudebox, de 2006, uma versão do meu Je ne t’aime plus...
Em 2007, finalmente, lancei o meu último álbum, La Radiolina, no qual tentei regressar às raízes de La Mano Negra, cantando novamente em inglês, castelhano, francês, português, e agora também em italiano.
Trotamundos nómada, alma rebelde, amante da liberdade e da natureza, observo e escuto e assim aprendo. Eterno músico de bairro, fiel às minhas raízes rockeiras, em dívida com o reggae, pendente dos tambores africanos, conto contos agarrado à rumba com misturas electrónicas; canto a história e ponho-a a dançar.
Chao
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